domingo, 29 de abril de 2012

Aleluia, Gretchen Aleluia, Juliano













The Legend of Zelda - Serenade of Water on Piano



O Homochorro
Este post é dedicado a você, meu amor, neste dia tão especial, meu pequeno príncipe, num planeta para mim cada vez mais distante, neste universo que se expande antes mesmo que seu pensamento termine e no qual, Juju, a maior parte dos objetos que você ainda pode identificar no céu sequer existe mais. Gostaria de lhe dizer algumas coisas que estão engasgadas na minha garganta há tantos anos desde que uma cortina de silêncio desceu sobre minha vida.
Durante meses, pensei e hesitei de que maneira poderia lhe dizer isto de uma forma clara para sua idade, ou seja, falar de coisas tão complicadas, e até mesmo brutais, enfim, sobre a maldade inerente à natureza humana, justamente sabendo que voce é apenas um menino e que hoje você faz dez anos. Na grande escala do tempo cosmológico e sua memória, esse intervalo tende quase ao zero. Este post é também uma reflexão sobre a natureza das palavras, sobre a nossa memória, mas, sobretudo, em torno daquele que é o mais sagrado de todos os valores humanos: a liberdade.

Mesmo assim, alguma coisa como que uma “febre da matéria”, já que somos feitos de poeira de estrelas, todos os elementos químicos em seu corpo e no meu, tudo que você vê ao seu redor neste planeta rochoso chamado Terra, se agita em nosso coração, pois tudo isso nasceu da explosão de uma estrela gigantesca, de uma supernova aqui pertinho há bilhões de anos, antes mesmo que o sistema solar existisse. No coração e no forno dessa estrela, a pressão gigantesca a trilhões de graus no momento de sua implosão final e de sua morte geraram todos os elementos químicos dos quais somos formados. Ela finalmente colapsou, explodiu e espalhou as sementes da vida, para que um dia houvesse trilobitas, dinossauros e, finalmente, seres humanos e pensamento. A vida inteligente, um produto dessa lenta e complexa evolução, com muitos fins e recomeços, seria, quase por uma aproximação, aquela “febre da matéria” que nos agita, que nos faz perguntar sobre a natureza do mundo. Os nossos pensamentos e palavras seriam, dessa forma, também o resultado necessário daquela explosão da supernova, pois em cada átomo de seu corpo e do meu prolanga-se a “memória” de sua remota existência e de seu colapso definitivo. E este mesmo processo se repete a cada instante em todos os quadrantes do universo, e temos até muitos motivos para acreditar, com base rigorosamente na ciência, que a vida seja quase que um “imperativo”, necessária, a vida, embora rara, parece sempre vencer todos os obstáculos e sempre retoma seu caminho.

Vou lhe contar também algumas histórias, pois, como você, adoro, sobretudo, fábulas com bichos, algumas engraçadas, outras nem tanto. Sei da sua paixão pelo "Zelda" e pelos mistérios e meandros do tempo e dos desafios de enfrentar Ganandorf, Morphas aquáticas, princesas enigmáticas, e gostaria de lhe fazer uma citação muito bonita de um filósofo que estudava a literatura, pois ela se aplica exatamente a esse sentimento ingênuo e ao seu prazer em brincar com "Zelda, Ocarina of Time": “Bem-aventurados os tempos que podem ler no céu estrelado o mapa dos caminhos que lhe estão abertos e que têm de seguir! Bem-aventurados os tempos cujos caminhos são iluminados pela luz das estrelas! Para eles tudo é novo e todavia familiar; tudo significa aventura e todavia tudo lhes pertence. O mundo é vasto e contudo nele se encontram à vontade, porque o fogo que arde na sua alma é da mesma natureza que as estrelas.” É dessa paixão e do fogo das estrelas que quero lhe falar hoje e também sobre a liberdade de ser e estar no mundo, bem como da justiça. Eu quero que essa chama nunca se apague em seu coração.

Mas quero também falar hoje das coisas “difícieis” na escala humana, daquilo que chamamos de “maldade”, da diferença entre o “bem” e o “mal”, daquelas “questões morais”, não só das estrelas colossais a bilhões de anos-luz, mas do que acontece lá no recreio da escola, pois aquilo que parece tão inofensivo como numa fábula mágica, como o "Zelda", aquele recreio cheio de crianças “felizes” e "inocentes" brincando é, muitas vezes, como sabemos, um festival de horrores, em que meninos Morphas e monstrinhos genéticos de todas as espécies e procedências desenvolvem todas as suas habilidades criminosas na tortura e humilhação de seu semelhante.

Muito bem, imagine, então, que você fosse um cientista vindo de um planeta distante para estudar o recreio do Singular. Claro, voce seria invisível no seu disco voador de última geração 0km. Eles não poderiam vê-lo, você sequer entenderia a linguagem daqueles seres minúsculos, que mais se parecem com formigas. Em princípio, nessa escala, eles seriam quase que como os micróbios, as bactérias e os vírus que vivem em seu corpo. Cada pessoa e ser vivo é um super “hotel de luxo” de bactérias, vírus e micróbios, com direito a café da manhã, almoço e jantar. Então lá, onde aparentemente haveria “uma” só pessoa, na verdade, há várias, milhares de pequenas entidades todas dizendo: “Olha nós aqui!”, “Não senta na cadeira que você me mata!” e assim por diante. E, no final, elas acabam tomando conta do “hotel” e nos comem até o esqueleto. Pois se você fosse esse cientista imaginário, aqueles seres seriam como essas bactérias, não é verdade.
Você poderia fazer com eles qualquer “experimento” e eles sequer saberiam quem é você e de onde você veio. Mas, como sabemos, essa perspectiva é apenas um “experimento mental”, um exercício de fantasia, pois nós fazemos parte daquela realidade do recreio e lá existem o bem e o mal, todos nós somos igualmente seres humanos e os problemas começam justamente quando alguns de nós se colocam “acima dos demais” e se vêem no direito de arbitrar o que seja certo ou errado. E isto certamente irá machucar nosso coração. Lá existe o “mal” como uma semente a desabrochar. Veja bem, se você se colocar de “fora” e não reconhecer mais que você seja humano, e isto se repete regularmente na história, se um grupo de pessoas acreditar, seja lá por qualquer motivo, que as outras não são iguais e devem ser exploradas, ou até mesmo exterminadas, porque elas são como bactérias, vírus e micróbios, então o que é certo e errado.

A evolução da espécie humana só demonstra que foi graças a essa agressividade estrutural do cérebro dos primatas que dominamos o planeta e todas as outras espécies. Seria justamente esse “defeito de fabricação” do cérebro humano, que tem a ver com a anatomia do olhar evoluindo paralelamente com o crescimento do cérebro, desde que os primeiros humanos desceram das árvores na savana, que atribiu evolutivamente essa “vantagem” ao homem como caçador nato e grupal. Basta haver dois ou mais macacos em qualquer lugar deste planeta, lá já começa uma pequena guerra. Quando você analisa a história, seja de qualquer direção, os seres humanos são sedentos de guerra e destruição, eles amam e têm prazer na destruição generalizada, mas, pelos mesmos motivos que os condicionaram a uma agressividade natural, seus cérebros também amam a ciência e o conhecimento.
Foi assim que eles aprenderam a fazer fogo, depois queimaram florestas inteiras, cidades, continentes e, finalmente, construíram armas nucleares como o Sol justamente observando como as estrelas colapsam. Eles aprenderam direitinho a fazer “fogo”, depois a calcular a massa das estrelas até recriar algumas delas numa escala menor com esses armamentos. É nessa energia chamada fusão que está o segredo do futuro de nossa espécie também. Até agora não foi possível controlá-la.


Resumindo: a primeira coisa que gostaria de lhe dizer é que as palavras têm um poder extraordinário, quando utilizadas na combinação certa e no momento exato, seja para produzir o melhor, ou o pior dois resultados possíveis. Já posso lhe antecipar que uma das características e sinais da maldade é quando as coisas feias que acontecem deixam de ter nome ou recebem nomes diferentes. Isto também é chamado de "eufemismo" e é muito, muito mais feio do que dizer um palavrão. Muitos seres humanos fazem sempre questão de olhar para o outro lado, ou chamar as coisas por um nome mais bonito e isto é imperdoável e fonte de inúmeras desgraças. De qualquer maneira, mesmo que você seja habilidoso e domine a linguagem, sempre haverá uma palavra mais exata para exprimir um certo significado, mesmo que você invente uma palavra nova no dicionário, o que se chama de “neologismo, mesmo assim, neste caso, as palavras nunca vão cobrir toda a realidade, como se fossem uma roupa que não coubesse numa pessoa bem gorda e a gente percebesse os remendos.

Vou lhe dar um exemplo bem concreto. Farei mais uma pequena digressão sobre este capítulo fundamental, sobre o sentido das palavras, sobre o “dar nome aos bois e vacas”, como dizemos na linguagem do dia-a-dia. São duas histórias reais de minha infância. Vou lhe contar inicialmente a história da cientista Araminta, uma bióloga que conhecia profundamente a história da vida na Terra e seus revezes e, por isto mesmo, sabendo de todos os pulsos de extinção e do recomeço da vida, sempre via tudo da perspectiva mais otimista o possível.
Para ela, tudo era “maravilhoso”, tudo deveria ser visto de maneira “positiva”, pois estávamos em crédito com a natureza. Quando você falava das coisas ruins, daquelas coisas que exigiam um nome e discussão, ela sempre dizia: ”Vamos falar de coisas positivas”. Muito bem, se ela visitasse o campo de extermínio de Auschwitz na Polônia, em 1943, onde as pessoas eram descarregadas, despidas, gaseificadas e depois cremadas em gigantescos fornos pelos nazistas, ela diria: “Vamos ver o lado positivo da coisa, enfim, há uma cerca elétrica e tudo por aqui transcorre em “ordem”, sem tumulto". Ou talvez: "Ah, esses alemães nazistas, eles são, pelo menos, ordeiros!" Araminta acreditava que as crianças eram, por natureza, boas e maravilhosas, que elas não carregavam o “pecado orginal”, como eu aprendera com os padres na escola, que elas não precisavam ser educadas e reprimidas da maneira tradicional e por isso fundou uma escola “moderna”, com uma metodologia radical de ensino chamada “O Recanto Encantado da Tia Araminta”, baseado em três princípios: 1. Faça o que quiser, 2. Faça e repita quantas vezes quiser o que lhe der prazer e na telha. 3. Nunca me reprima, uma programa no qual ela prometia aos pais lavarem as mãos de qualquer responsabilidade sobre o experimento, já que esta cláusula estava, inclusive, no contrato de matrícula e no cartaz da escola, pois as mensalidades eram bem salgadas e os pais precisavam trabalhar o dia e a noite inteiros para saldá-las. Embora fosse uma escola "experimental", não religiosa, o "Recanto" começou logo a atrair o interesse de militares, quando começaram a nascer o primeiros monstrinhos mutantes, muito mais eficientes que os tanques produzidos pela Engesa à época e exportados para o mundo inteiro.
Um desse militares, extasiado, me contou anos mais tarde quando a escola já fora incorporada pela fábrica, que, quando você dizia para qualquer um deles, "Meu Deus, por favor, não bote fogo na cidade!", eles replicavam invariavelmente, “Sou uma vítima do dever, um inocente e você está fazendo bullying comigo", "Sim tudo bem, mas, por favor, não morda essa ponte, pois ela já está próxima de cair e não aguenta mais outra dentada" e assim por diante... Araminta mudara a linha evolutiva, só que invertera a seta para trás. Sim, “Mas não bote fogo na cidade, pelo amor de Deus!”, esse tenente repetia sempre gargalhando esse mantra infantil. Se você quiser entender seu pai, como ele realmente pensa desde que era menino, este é um de meus segredos, Juju: Eu não confio em ninguém e lutei a vida inteira contra a metodologia da Tia Araminta. Na verdade, ela era uma aluna do filósofo Rousseau, que afirmava que o ser humano era bom por natureza, e que a sociedade o corrompia, mas havia um outro filósofo inimigo de Rousseau, Thomas Hobbes, que dizia que o "homem era o lobo do homem" e, portanto, tinha que ser mantido debaixo de uma bota segura. Eu considero todas as pessoas, sem nenhuma exceção, profundamente perigosas para si e para os outros, quando não estão sendo vigiadas e mantidas rigorosamente na linha e debaixo desta bota. Se nós estamos aqui dormindo em casas com geladeiras, portas, e se as pontes geralmente não caem por causa de roedoras vorazes como aquela monstrinha, é porque a defesa do grupo, a civilização , como chamamos, a nossa liberdade, depende de uma vigilância rigorosa. Basta os conflitos escalarem e percebemos o quanto rapidamente essa ordem desaba e as pessoas mostram sua verdadeira máscara bestial e traiçoeira. Para tanto, você precisa encarar esta realidade, não ter medo dela e assim você terá, pelo menos em teoria, uma chance de vencer seus desafios. Somente assim. Nunca, nunca se iluda sobre isso, nunca mesmo com aqueles que se dizem "bons" e seus "amigos", que dizem trazer o "progresso" e a ajuda. Acredite no progresso, no amor, na verdade, sim, mas esteja vigilante para não ser traído ou apunhalado pelas costas. Esteja sempre preparado para defender sua liberdade a ferro e fogo. Como lhe disse, em teoria, pois se você não compreender isso, já terá perdido o controle de sua vida de antemão.


Ok, dito isto, vem a segunda narrativa. A outra história é da Sra. Eva, uma polonesa judia de Lodz, que morava ao lado de minha escola, e que, por um desses milagres misteriosos e que nos enchem o coração de alegria e esperança como o hino de Israel, o nosso amado hino, "Haktiva", sobreviveu ao Holocausto nazista. Ela tinha uma tatuagem de seu “número” no campo no braço esquerdo. As pessoas eram marcadas como gado e não deveriam ter mais nome antes de serem abatidas para virar adubo. Ela fumava três maços de Hollywood por dia e me contava aquelas histórias que não poderiam ser verdade, que desafiam minha imaginação, já que eu morria de medo do inferno e aquilo era infinitamente pior que os castigos eternos que os padres nos prometiam no catecismo.
O inferno católico era o jardim da infância perto daquela maldade alienígena e abissal. “Os alemães fizeram isto comigo”, ela dizia, com aquele sotaque alemão carregado, pois a língua materna dela era o alemão, a língua de seus carrascos e assassinos de sua família. A Sra. Eva tinha muitos pesadelos e foi graças a ela que eu me interessei prematuramente em conhecer a “pátria do Mal”, a “toca do demônio” como ela denominava a Alemanha e todos os alemães, sem exceção, sempre no plural. E vocé é alemão também, como você sabe! Ao contrário de Araminta e sua biologia darwinista dos pequenos monstros roedores, ah, eu esqueci de lhe dizer que conheci nessa época uma menina que roía tapetes, portas e mesas também e hoje perfura túneis na Suiça, a Sra. Eva me mostrou que a verdadeira essência do mal era um lugar vazio e sem palavras. Não havia mais linguagem e palavras nos campos de extermínio, não havia nem ontem ou amanhã, apenas um presente infernal e sem memória. As recordações eram apagadas e, com elas, também a verdadeira identidade, com ela, as palavras e os sentimentos. Lá descia uma cortina eterna de silêncio sem palavras, todas as coisas perdiam seu nome e seu sentido. Nada fazia mais sentido diante de tanta crueldade. No inferno católico, os diabos pelo menos faziam uma pausa para um café de vez em quando, mas não lá, em Treblinka. Mas voltemos às palavras.


Por exemplo. Se você for ao dicionario, você não encontrará a palavra “homochorro” para designar esta simpática criatura, embora o homochorro exista e seja uma combinação genética de homem e cachorro. Ora, voce dirá, mas em que mundo você vive em que homochorros circulam pela rua e se deixam fotografar, mais ainda, quem é o autor desta barbaridade. Ora, meu amor, recentemente gravei uma aulinha para você falando dos cinco pulsos de extinção de nosso planeta e da obstinação e persistência da vida em sempre encontrar uma nova estatégia. Ao que tudo indica, o universo está pulsando de vida em todas as direções e a vida é, do ponto de vista rigorosamente cientifico, um desenvolvidmento necessário e lógico. Esta é uma questão, mas a outra é se esta vida necessariamente caminha para criar formas inteligentes, ou seja, os seres humanos sabem que são humanos, criaram uma linguagem que os afastou das demais espécies da natureza, e pior, têm consciência de sua mortalidade. Seria uma questão saber se o homochorro tem esta mesma consciência.

Mas eu vou lhe contar a incrível história do homochorro. Este filme chama-se “Invasores de Corpos” e é uma refilmagem de um fime americano dos anos cinquenta chamado ”The Invasion of the Body Snatchers”. Uma nova espécie de vida, uma forma de vida latente, adormecida em esporos, é carregada pelo vento solar e chega finalmente à Terra. Ela se deposita inicialmente no solo e libera estes esporos. Ao serem inalados pelas pessoas , eles começam seu desenvolvimento durante o sono e sonho e, assim, finalmente, “despertam” da latência e de seus sonhos durante a viagem pelo espaço sideral e duplicam, clonam os seres humanos, tudo durante a noite, quando dormem e estão indefesos. Muito bem.

Acontece que os esporos são um único ser coletivo, uma forma de “consciência coletiva”, uma única entidade ramificada e cada ser humano incorporado perde assim sua consciência individual e passa a “trabalhar” pelos esporos, a fazer parte da "grande família" dos esporos, ou seja, continua sendo na forma e no metabolismo aparentemente um ser humano, mas já integrado na nova “sociedade simbiótica dos esporos”. Neste novo mundo, não há mais as emoções tão sofridas que caracterizam os seres humanos, como o amor, o medo, mas, sobretudo, o ódio que produz as guerras. Quando a primeira versao do filme foi rodada em 1954, a mensagem latente é que os esporos eram os comunistas da ex-União Soviética que queriam se infiltrar e acabar com a liberdade e o modo de vida dos Estados Unidos. Aparentemente, os comunistas já haviam atingidos muitas das conquistas dos esporos como proibir as pessoas de deixarem seus países, exigirem que todo mundo pensasse da mesma maneira e tivessem o mesmo gosto, mas acontece que os comunistas eram também seres humanos com emoções, a saber, amor, ódio e medo, enfim, agiam de modo irracional, movidos pelo medo.

Como é possível falar de um mundo sem amor, ódio e medo, de um mundo que não seja humano, ou seja, que a mente humana não possa compreender com suas emoções e categorias. É muito dificil, não é. Na verdade, os seres humanos são produto de seus sonhos e o maior e mais belo deles é a liberdade, mas ela tem uma sombra: o medo, os nossos pesadelos. A liberdade é como um fantasma que nos assombra. Mas a história desses esporos é ainda muito mais emocionante e inteligente. Na medida em que as pessoas vão sendo assimiladas, os que ainda permanecem humanos, vão sendo acuados no seu pânico, ou seja, nas suas emoções e não conseguem mais pensar racionalmente, elaborar uma estratégia comum de defesa e contra-ataque na guerra já declarada aos esporos. Os que ainda sobraram têm de andar na rua fingindo não sentir nada, mesmo quando sentem nojo de ver todo mundo ao lado carregando ordeiramente sua “caixinha” com mais esporos, fazendo fila no ponto de ônibus para trasnportar os esporos para outras cidades e regiões do país.
Pouco a pouco, os rádios e televisões vão silenciando. Quase todo mundo já está trabalhando para a a nova sociedade, a polícia , o exército, os hospitais e bombeiros, para não falar do governo. Se voce pegar o telefone para comunicar alguma “irregularidade” , eles já sabem de antemão seu nome e vêm te pegar rapidinho. E quando voce é “detectado”, eles levantam o dedo indicador e dão um gritão tipo latido, que quer dizer “Pega ele!”.


Ora, vamos tentar entender a coisa do "ponto de vista positivo", como diria a já célebre bióloga e pedagoga experimental do Recanto de Araminta. Num dialogo muito bonito do filme, o ator Leonard Nimoy, conhecido da série clássica “Star Trek”, por ser uma personagem racional do planeta Vulcano, com suas orelhas pontudas, afirma: “Fiquem tranquilos. Nós somos o produto da evolução da vida, somos capazes de planejar nossa própria evolução genética, somos pacíficos e estamos além do ódio, do amor e do medo”. Bonito, não é. Ou seja, o que nos chamamos de liberdade, para os esporos, é um conceito velho e ultrapassado na evolução natural da vida. Num certo sentido muito específico, os esporos são como os alemães, organizadíssimos, gostam de ruas limpas, só a polícia por aqui está armada, e quando voce joga papel, ou mesmo uma casaca de banana no chão para testar a prontidão deles, eles invariavelmente levantam o dedo e dão o latido: "au au, pega ela ou ele". Mas acontece que, quase no final do filme, a única moça que sobrou e não foi ainda “integrada” pelos novos senhores de nosso planeta, está no ponto de ônibus quando observa esse homochorro e grita e chora de nojo. A ironia macabara do filme é justamente mostrar que os esporos não podem controlar a genética, justamemte eles, que se consideram tão espertos, e que as combinações dos genes obedecem também às leis do acaso e o homochorro não estava programado.

Neste momento mágico e profundamente cachorral desse filme para lá de maravilhoso nos perguntamos: Caramba, haverá uma "carrocinha galática" para recolher o homochorro. O que acontecerá com o coitadinho que se desviou “da linha evolutiva”, da qual os esporos se consideram o topo, eles, repito, que se acham os gostosões da vizinhançca cósmica, será que se esqueceram enquanto “dormiam” como sementes durante a viagem pelo universo de que a vida evolui por acaso e mutacões, a radiação que vem das estrelas e toda as mudanças rápidas de qualquer ambiente, e diga-se de passagem, foi um doce e uma brincadeira de criança dominar uma espécie tão primitiva como a humana. Aparentemente, eles se esqueceram dessa pequena "margem" de acaso na evolução da vida. É facil dominar quando se tem medo, pois o medo divide e acua. Aqueles que querem dominar os outros sempre espalham o terror e a ameaça para criar divisão.

As emoções que nos fazem sentir alegria e tristeza podem nos destruir também diante dos perigos. O homochorro é um dos maiores enigmas deste filme. A vida, na sua persistência e recombinação, produzirá sempre seres diferenciados que ficarão sozinhos e desamparados. A vida na terra foi também um grande experimento e só estamos hoje aqui porque uma catástrofe apocalíptica interrompeu a linha dos sauros. Eles ficaram simplesmente 250 milhões de anos sobre a superfície deste planeta. A Terra seria, por direito, o planeta dos grandes répteis. Bem, mas se a história se passasse na Alemanha, que é um país social-democrata e gosta de adminstrar e se antecipar a tudo que dá de errado, eles guardavam o homochorro direitinho, dariam-lhe até um seguro médico e um passaporte da União Européia, desde que ele fosse castrado.

Você deve ter percebido também, que eu falo com muito carinho e amor dos esporos. Sim, é verdade, não escondo, eu adoro os esporos, não posso mentir, adoro a ordem, porque sempre fui vítima de minhas próprias emoções, sempre usadas contra mim. Você se lembra do âncora dos Simpons Kent Brockman, saudando precipitadamente os alienígenas e tendo de se retratar publicamente depois, admintindo sua "leadade" ao governo humano e à emissora: é meu caso. Prevendo uma invasão inevitável do planeta, ele já oferece seus serviços à nova espécie dominadora.

Bem, aqui termina a primeira parte de minha longa narrativa, que vou agora desdobrar em outras. Antes de encerrar este gigantesco post, contarei uma outra história espacial de um menino especial como você.



Aleluia, Gretchen
Este filme do diretor Sylvio Back é um de meus favoritos e conta a história de 40 anos de uma família de imigrantes alemães que fogem da Alemanha nazista e se fixam no sul do Brasil, no interior de Santa Catarina. Ele fala basicamente do sentimento da separação, do exílio, de estar longe de suas origens, daquilo que você ama, mas sobretudo, assim como em Zelda, também de pessoas que se perdem não apenas no espaço, mas no tempo, nos labirintos do tempo, na história do mundo. O nazismo foi a maior loucura racial dos seres humanos que conhecemos, ele criou uma forma industrial de extermínio, os alemães simplesmente abandonaram a história, o progresso, a melhora, e inverteram a seta do tempo, ao se declararem a raça superior para dominar o mundo e escravizar os demais povos de uma maneira im piedosa e selvagem.
É como se, de repente, uma parcela da humanidade visse a outra como os esporos nos viam, ou como nós vemos as bactérias e os micróbios. É como se tivessem aberto todas portas do inferno e a história parassse e voltássemos para a selva. Gretchen é uma menina bebezinho produto daquilo que na Alemanha nazista eram os chamados “Lebensborn”, lugares onde as mulheres tinham seus filhos como vacas leiteiras. Eles simbolizavam toda a loucura nazista de tentar criar uma raça superior imaginária, como produto “evolutivo” da loucura coletiva que infestou a Alemanha. A mãe de Grechten era traumatizada por ter sido abandonada. A menininha morre no Brasil como uma semente de esperança de um mundo melhor. Separado de você, o tempo para mim parou há séculos. Num certo sentido, todos nós acabamos nos perdendo nos tempo e não podemos sempre acompanhar as mudanças, mas nessa história sobre a separação, existe, como eu lhe mostrei, sempre uma semente de esperança. Vocé foi é e sempre será esta semente para mim. Como eu vivo no exílio e num labirinto do tempo e deixei há muitos anos de conversar com os outros, este filme, Juju, me lembra também uma história contada pelo meu ex-orientador de mestrado sobre um casal austríaco que migrou para o Brasil, quando ele me visitou lá na Moóca e viu que a vovó Dirce amava os peludos. Eles tinham muitos cachorros e não conversavam com ninguém. Depois de 10 anos no Brasil, eles já nem falavam mais alemão direito, nem haviam aprendido português e tinham, de fato, desenvolvido uma nova língua "híbrida" entre cachorrês e as outras duas. Acho que você entende perfeitamente o que quero dizer.  



Tigres Brancos
Você foi desde o princípio, é e sempre será para mim e para a mamãe também um tigre branco. Que ele guarde você e sua cidade lego por toda a sua vida. Que ele lhe empreste a sabedoria e aquela chama no coração para as grandes empreitadas, como naquela citação. O tigre branco (também conhecido como o tigre de Bengala) é um exemplar muito raro mesmo na natureza e um felino de uma beleza extraordinária. Eles não são nem albinos e nem são uma subespécie separada, mas sim o resultado de um gene recessivo . Eles têm olhos azuis, nariz rosa, e fundo branco cremoso com listras de cor chocolate.
Quando a civilização chegou às florestas lá no Sudeste asiático e na Índia central e sulista, percebeu-se que seria possível com sucessivos cruzamentos, de 10 em média, nasceria provavelmente apenas um saudável. Então, o espírito explorador das pessoas, e sobretudo de donos de circo, começou a estimular cruzamentos perigosos para atingir esse gene raro. Mas veja bem, de cada 10 cruzamentos somente um tigre branco, estatistamente, vai nascer saudável e os demais noves serão doentes, retardados e despejados em zoológicos baratos, onde ficarão babando e olhando para o vazio de suas pobres jaulas, para que esses donos de circo possam montar em cima dos bichos. Na natureza eles não têm nenhuma chance, mas tentar, como os nazistas ou os esporos, produzi-los em cativeiro irá criar toda esse infelicidade.
Além da tremenda crueldade de serem recessivos, aquele único saudável e solitário acaba sendo comprado por um circo para que os treinadores montem em cima dos pobrezinhos, como sabemos tigres não são feitos para isto, até aquele dia maravilhoso em que ele finalmente se lembra disto e engole a cabeça do treinador. Neste dia, o ingresso vale seu preço em dobro. Você não foi feito para que ninguém monte em cima de você. Nunca se esqueçca disto. Nunca! Pense na beleza dos tigres brancos. Você é raro e único.
 

A Arma mais Letal do Mundo, Um Pensamento que Dura Um Milhão de Anos e o Segredo da Energia Escura 

Quero lhe falar algo também fundamental sobre a vida: as pessoas chatas, os malas sem alça, as pessoas que nunca vão embora, aqueles que estacionam para sempre em frente de casa, os que não largam de seu pé, os que chegam sem serem convidados, os que falam demais, de menos, ou não falam, aqueles que riem como hienas, os que acham que sabem de tudo, os que dão conselho, os que se dizem “seu amigo”, os que nos apunhalam pelas costas, os traidores, os falsos, mentirosos, enfim, estou falando aqui de todo mundo, aquelas pessoas que envenenam seu coração, sua alegria, seu amor pela vida, o desejo de amar, aqueles que nos levam a pensar em mudar de planeta, a união infernal de todos os chatos. Princípio número um: um chato nunca se chateia, dois: os chatos se atraem na razão direta de sua chatice e na inversa do quadrado de suas distâncias e, finalmente, três: os chatos estão em toda a parte. Essas pessoas têm um poder de destruição muito maior do que as maiores armas já concebidas pela humanidade e fazem o Apocalipse do History Channel parecer uma brincadeira infantil.

Foi observando o colapso e a morte das estrelas, Juju, no começo do século passado, que os astrônomos começaram a elaborar modelos matemáticos que possibilitariam ao homem reproduzir aqui na terra o mesmo mecanismo que sustenta o Sol: a reação de fusão nuclear. Foi justamente com base nesses modelos que os seres humanos conseguiram construir as primeiras armas de atômicas, como as bombas que destruiram Hiroshima e Nagasaki e que, posteriormente, se transformariam em armas termonucleares de poder quase que ilimitado, a famosa bomba de hidrogênio.


Em 1954, os Estados Unidos testaram aquela que seria a primeira delas transportável, um dispositivo chamado o “camarão”, numa operação que se chamou Castle Bravo. Ele era um cilindro de 5m metros que continha uma mistura sólida de lithium 6 com deutério, um isótopo do hidrogênio. Na preparação final da detonação, dois chatos chamados Bill e Bob começaram a discutir qual seria a potência ou o "yield" final da explosão.
A conversa começou como uma aposta, mas eles não paravam mais 5 MT ( 5 megatons), afirmava um , segundo as previsões iniciais, 6, retrucava outro e todos começaram a discutir. 12, não 8, a conversa não parava mais, já que todos estavam muito nervosos durante a contagem final. Desesperados diante de tanta chatice e sem poderem se concentrar nos instrumentos, os colegas deixaram eles de fora do "bunker" quando faltavam menos de 5 minutos e eles continuaram a discussão lá fora. O que os cientistas não previam, e sequer chegaram a cogitar, é que a maior parte do material do dispositivo o lithium 7, que parecia ser inerte e nunca reagiria, acabou reagindo e liberando neutrons muito energéticos ... 5,4,3,2,1 0 . Só o primeiro blast atingiu 10 km. E deu tudo muito errado no momento da detonação, muito errado mesmo. Quando a onde de choque atingiu o "bunker", uma parte dele rachou. Logo em seguida, a radiação gama e um calor como se houvessem aberto as portas do inferno anunciava nos contadores "geiger" no "bunker" uma radiação quase mortal e eles teriam de ser evacuados. Quando olharam nos minutos seguintes lá fora pela escotilha, dava para ver que Bill e Bob continuavam ainda a discussão em meio àquele inferno, 7. 12, 17, 15, não paravam mais e agora, estavam ainda radioativos também.

A explosão final atingiu uma potência de 15 MT, três vezes mais que o previsto e criou uma quantidade monstruosa de poeira e cinzas radiactivas que, em função da mudança brusca dos ventos, espalhou poeira numa direção que não tinha sido evacuada a tempo. A contaminação radioativa atingiu um perímetro de mais de 160km, atingindo sobretudo as várias ilhas habitadas em atóis vizinhos para onde a "force task" do exército americano havia evacuado os habitantes. Muitas crianças sofreram graves queimaduras de radiação e os adultos desenvolveram cânceres terríves, além, é claro, de gestações defeituosas, e para piorar ainda mais as coisas, a monstruosa nuvem radiotiva de coral pulverizado choveu como "neve" sobre um barco pesqueiro japonês, já que a explosão tinha extrapolado a área inicial de exclusão de Castle Bravo pela magnitude três vezes maior do "yield" inicialmente previsto. Um dos seus marinheiros morreu envenenado ao chegar ao porto e os japoneses, que ja haviam sofrido todos os horrores de duas bombas atômicas, ficaram indignados com o incidente.
Castle Bravo foi o pior acidente nuclear dos Estados Unidos, mas muitos dos seus problemas constituintes - enorme e imprevisível potência, mudança dedos ventos, contaminação ocorreram, também nos testes dos ingleses, francesos e russos. Esse desastre foi decisivo na opinião pública mundial para que eles fossem banidos no futuro. Mas, muito pior do que isso, foi a descoberta de que os dois chatos haviam se tornado mais ativos com os efeitos da radiotividade e foi assim que os páises perceberam que sequer precisam de armas tão apocalípticas diante da capacidade destrutiva da chatice.


Mas voltando ao colapso e à morte das estrelas, à sua implosão que permitu aos cientista desenvolverem modelos para essas armas totais. Se os astrônomos estavam interessados nesse processo, os militares perceberam logo sua utilidade para a guerra. Mas naquela época já se especulava que o colapso de uma estrela maciça poderia avançar tanto que ela acabaria por criar um rombo no tecido do tempo e do espaço, uma região de regime de gravidade tão absurdo que sequer a luz escaparia mais de seu perímetro com a sua velocidade de 300.000kms2.
Um buraco negro é a morte final de uma estrela, quando esta atinge uma densidade quase infinita, curvando o espaço em sua vizinhança também tendendo ao infinito. O tempo passa mais devagar numa região desta. Um pensamento comum para nós precisaria de mais de um milhão de anos para terminar. Terminando este pensamento, nunca se esqueça do poder devastador de pessoas que estão na sua vida apenas para envenar seu coração.
Descobriu-se também que a taxa de expansão do universo somente vem aumentando há 5 bilhões de anos, não apenas que o universo se expande, pior, que essa expansão se acelera vertiginosamente movida por uma energia deconhecida chamada pelos astrônomos de "energia escura". Em 2011, o time que a detectou ganhou finalmente o Prêmio Nobel de Física. Alguns deles suspeitam que os chatos têm algo a ver com esse efeito.

Portanto, se você for ameaçado mais uma vez por seus amigos no pátio da escola, então, haverá um caminho a seguir:
Aplicar o regulamento da escola
Chamar a policia
O Exército
A Aeronáutica
A Marinha
As forças combinadas da Otan para
Guerra convencional
Química
Biológica
Nuclear limitada
Nuclear total
Se não funcionar, sair na porrada.

A Doutrina e Diplomacia do “Cachorro Louco”
É isso mesmo, nesta sequência exata, está é a única linguagem que os seres humanos entendem depois que o diálogo, a boa vontade, a crença no progresso, no bom senso, na bondade, no amor, caridade, misericórdia, solidariedade, na fé em Deus, no respeito aos valores, aos mais fracos e desvalidos. Guerra é guerra e você nâo pode sequer pensar em perdê-la, porque então vão colocar uma corda no seu pescoço. Pessoas têm amigos, não é, na vida privada a gente tem um círculo de amigos, mas países nâo têm “amigos”, por definição, eles têm “intereses”, pois seus governos representam a coletividade, a defesa da vida social, a segurança da vida social. Se estão tornando seu recreio um campo de guerra, se estão já fazendo coisas feias com você, por que fazer o papel de "vítima". Lembra-se da menica roedora do Recreio da Tia Araminta, aquela pequena desgraçada. Toda vez que ela era flagrada roendo um prédio, uma ponte, ou só Deus sabe o quê, ela fazia cara de boazinha e dizia, tá vendo em sou pequenininha e boazinha, uma pobre ovelhinha, uma vítima. Voce nâo tem uma amiga falsa que fez o mesmo papel, voce pensa que ela aprendeu a lição. Quem se deu mal na história.
Mas, enfim, o que é a doutrina do cachorro louco. Essa doutrina na linguagem diplomática significa que você indica ao seu adversário que você esta disposto a tudo como um "cachorro louco", a tudo mesmo, isto é, bombardeá-lo até a idade da pedra para que ele se sente na mesa de negociação. Ela foi usada com muito êxito pelo presidente Richard Nixon e deu resultados. Nunca, nunca , nunca na sua vida demonstre fraqueza ou hesitação diante dos chatos e dessas pessoas apocalípticas. Você tem de dar a entender que você quer viver em paz, com justiça e ser respeitado. As pessoas vão tratá-lo com respeito ou por bem ou por mal, pois senão você irá colocar na mesa a carta “cachorro louco” sem vacina anti-rábica.

A história dessa doutrina cachorral, Juju, remonta a um fato decisivo na carreira de Nixon, quando ele ainda era candidato à vice-presidência dos Estados Unidos. Ele foi acusado de corrupção e reagiu indo à televisão com toda a sua família e disse que de todos os presentes que recebera ele jamais renuciaria ao cachorrinho Checkers, um cocker spaniel, pois era um presente para sua filha Patrícia e ele não iria “não quebrar o coração" de sua menina. Esse cachorro se tornou o mais famoso da política desde a pastora Blondi de Hitler. Décadas depois, Nixon se envolveria num escândalo monumental chamado "Watergate", que praticamente destruiu a presidência dos Estados Unidos, porque ele não acreditava em ninguém, o que se denomina de paranóia em linguagem técnica, e começou a gravar conversas secretamente e todo mundo ficou contra ele, até o cachorro ficaria, se ainda fosse vivo.

Mas vou lhe contar uma história e tanto. Essa sim, vai deixar bem claro o que estou dizendo. O ex-líder da ex-União Soviética Krutschev era um camponês que tinha lutado na Revolução Russa e na Segunda Guerra Mundial, um homem duro e rústico que havia sobrevivido ao Grande Terror de Stalin. Ele havia se tornado o líder soviético e queria reformar totalmente o socialismo, com muita energia e vigor. Ele também adorava blefar politicamente, como se diz na linguagem do jogo de "poker", fazia jogo de cena, ameaças, gesticulava e era um tremendo grosso, mas ele queria de fato acordar o país do torpor dos anos de horror e estagnação de Stalin. Quando o presidente Kennedy, o mais jovem até então da historia dos Estados Unidos, foi eleito, Kruschev logo achou que poderia levar um monte de "vantagens", isto é, Juju, Kruschev queria ocupar Berlim inteira na Alemanha, por exemplo, porque ele achava, do fundo do coração, ele achava mesmo com sinceridade, que Kennedy era um bananão, um filhinho de papai e mocinho rico vindo da grande Universidade de Harvard, e também de uma família política tradicional. Kruschev achava que poderia enfiar o dedo no nariz do novo presidente americano e ser rústico, estúpido, falar alto, porque aquele charmoso e bonitão presidente era, na verdade, um banana fracote. Kennedy era, na realidade, muito doente, quase um aleijado, ele tinha defeitos como qualquer ser humano, mas grandes virtudes também, e era um homem de um idealismo sem precendentes. Ele havia escrito na sua juventude um doutorado sobre como Hitler intimidara o antigo premiê britãnico Chamberlain, justamente aquele cachorro louco do Hitler, que fugira da carrocinha de Viena. Os dois finalmente se encontram em Viena em 1961 e foi um completo desastre recíproco e quase um apocalipse nuclear para a humanidade. Todo o desprezo que Kruschev nutria por ele só foi confirmado nos encontros tensos.
Kruschev o humilhou e achou que ia tirar vantagem disso e resolveu, e este blefe foi fatal, estacionar um monte de ovigas nucleares naquela ilha maravilhosa e paraíso da liberdade chamada Cuba. Ele só se esqueceu de uma coisa. Uma coisa era o homem Kennedy jovem e ainda inexperiente na presidência, a outra coisa é a presidencia dos Estados Unidos e do seu infernal poder de fogo. Ele se enganou redondamente com Kennedy também, pois este foi à TV e prometeu lançar todo seu arsenal nuclear sem exceção, sem deixar nenhuma ogiva de fora e varrer a Uniâo Soviética do mapa várias vezes, caso Kruschev não enfiasse o rabo debaixo das pernas e retirasse aqueles mísseis daquela plantação de açúcar e bananas. Na verdade, os dois, Kruschev e Kennedy, perderam rapidamente o controle do jogo e os militares já estavam começando por conta própria uma guerra atômica total quando um lado deu um passo milagroso para trás. Foi simplesmente um milagre, por um triz. O que eu quero que você aprenda dessa lição com a doutrina do cachorro louco é que você deverá sinalizar a seus adversários que não deixará nenhuma ogiva de fora de seu arsenal caso queiram chantageá-lo. Entende. Ninguem vai ameaçá-lo e tirar proveito de você, só porque voce quer viver em paz com seus semelhantes. Ninguém vai interpretar isso como um sinal de fraqueza seu. Nenhuma ogiva de fora, retaliação total. Isto vale para os chatos também.





Shabaquinha Lithium (Série SL powered by Lithium, made in China, Província de Miau Miau)
Uma das coisas que faço há muitos anos para me sentir mais próximo de você é ir até uma pequena ponte lá no rio Ihme, onde a mamãe fez uma vez o pedido para você nascer, um lugar que também a gente chamava de a “ponte dos patos”, pois lá as pessoas costumam se reunir para jogar migalhas de pão aos cisnes e patos. É um local muito bonito. Levo então alguns livros de cabeceira, sento-me no banquinho no fim de tarde e fico jogando migalhas para eles, pois simplesmente foi lá que você, meu amor, surgiu como um desejo, uma idéia e, depois como milagre. Assim como na balada "Serenata d´Água" em Zelda, fico contemplando o rio e pensando em todos esses anos que passaram. Mas, para esquecer a tristeza e as lágrimas, procuro me divertir com os livros, e, também, claro, com os patos, mas já lhe digo que não se pode aproximar dos cisnes, pois eles são muito bravos.

Um deles se chama os “Primeiros Três Minutos”, um livrinho muito bonito e  bem escrito para divulgar a cosmologia moderna, que fala exatamente dos primeiros três minutos de existência do universo, de Steven Weinberg. O outro, muito mais divertido e que me faz rir sozinho, chama-se “O Canone Imperial”, de Flavio Kothe, e fala da disciplina que lecionava quando era professor, a tal de Literatura Brasileira. Ou melhor: como tentava mostrar para meus alunos que não era possível aprender literatura de verdade sem ler os grandes autores da humanidade, como Goethe, Dante, Homero. Enfim, vivia repetindo que a vida era simplesmente curta demais, não havia sequer um minuto mais a perder, e que eles tinham que se apressar em ler esses grandes autores para somente então, somente aqueles que quisessem mesmo se especializar numa literatura mais particular e eventualmente lecionar, somente estes deveriam estudar aqueles autores que, literalmente, apenas enchiam linguiça dos livros de segundo grau e não têm valor nenhum. Achava inclusive deprimente a falta de senso crítico de meus colegas, bem como a desonestidade intelectual envolvida nisto.

Antes de eu nascer, o colegial chamado na época de "clássico" ou "científico", era muito mais equilibrado com autores gregos e romanos, os assim chamados  "clássicos". Estudavam-se o latim e o grego, bem como outras línguas. Em consequência disto, os alunos tinham necessariamente uma visão mais equilibrada das grandes literaturas. Mas como dei aula em outro tempo, a Literatura Brasileira tinha sido literalmente “inventada” para o 2o. Grau e todo mundo era obrigado a aprender e valorizar autores sem nenhuma relevância, o que é um absurdo e um desrespeito à inteligência dos alunos, pois estraga, de maneira irreversível, o prazer e o verdadeiro amor à literatura e sua tradição filosófica. Uma das coisas que eu queria te dizer é que nascer falando português não deve ser uma fatalidade, um destino ou uma condenação. O mundo é muito rico e variado em referências culturais e, além de eu ter de encher o saco de meus alunos tendo de lecionar autores que considerava menores, só porque caíam no vestibular - bem, Juju, eu sequer escondia depois de alguns anos, mal escondia o desprazer, o que eu sentia e, muitas vezes, me via explodindo de riso ao ler poemas e dizer para meus alunos:
“Isto é uma merda completa, vamos ler alguma coisa que preste”. Tragam por favor Goethe, Lessing, Shakespeare e um balde para vomitar", - além disso, tinha de enfrentar o tremendo baixo nível e provincianismo de meus colegas. Viver no Brasil me asfixiava e, então, disse "Schluss!" Eu adorava uma peça alemã chamada “Natã, o Sábio”, de Lessing, que fala sobre a tolerância religiosa, além, é claro, do extraordinário poeta Goethe, autor de um poema dramático chamado “Fausto”, inspirado numa lenda medieval sobre um médico que, cansado de sua impotência em conhecer as coisas, vende a alma ao demônio. Ou seja, pelo conhecimento último das coisas, ele vende seu próprio espírito sem medo do inferno. Quem não lê um poema desses, não sabe sequer em que mundo vive, pois o Fausto está na base de todos os dramas morais da ciência moderna, na história dos cientistas que vestiram a farda militar para construir a bomba atômica no projeto Manhattan, como Oppenheimer. Juju, eu amo a grande literatura e todos nós somos cidadãos do mundo, temos direito de escolher o que nos agrada, não é. E por que o fato de alguém nascer no Brasil tem de ser uma impossibilidade de ler um poema desses na escola, sim, na escola. Que babaquice é esta de dizer que o aluno vai preferir José de Alencar a Goethe. E justamente por serem obrigados a lerem esses autores menores passavam também a odiar a literatura. Mas era assim e tudo aquilo foi envenenando meu espírito como a radiotividade de Castle Bravo, no começo devagar, mas no fim eu ja estava de saco tão cheio próximo de uma explosão de mais de 15 MT, pois eu estava cercado de pessoas assim.

Não, tinha que ficar falando sobre os índios de papelão inventados pelo nacionalismo romântico, ou seja, é como se eu lhe dissesse que ser brasileiro significa que você tem de tomar necessariamente cerveja, gostar de futebol e de samba. De qualquer maneira, muitas vezes rindo ao ler este livro, eu mal escondia as lágrimas, olhando para o rio e pensando como eu era infinitamente só e que desastre tudo aquilo tinha sido e como a legião de idiotas, chatos, pessoas de mau caráter, e mal intecionadas que conhecera em meu passado somente crescera, pois eu, enfim, descobrira novos caminhos de minha aventura Zelda intelectual e um dia senti uma vergonha incrível de minha ignorância astronômica e resolvi estudar a fundo o mapa dos céus e sua matemática. Juju, meu amor, vou lhe repetir apenas o que o filósofo Kant afirmou certa vez: "Tenha vergonha na cara e cresça", meu filho, morra de vergonha da ignorância, tenha vergonha de ser ignorante, cretino, burro, provinciano, de querer as explicações simples, o caminho mais fácil. A verdade científica é sempre terrível. Tenha vergonha da ignorância e nunca vá com a opinião da maioria!!!


Foi assim que um dia desses, olhando fixamente para o horizonte, suspirei: eu sou a pessoa mais só deste universo. É como se o mundo tivesse acabado e ninguém tivesse me avisado. Mas nesse dia, quando eu terminei essa frase, percebi que aos meus pés havia uma cadelinha poodle branca que me estendeu a patinha e, para minha surpresa, não sei se foi meu diabetes, me disse:

“Nheu tanhém”.

Nossa , você fala, perguntei, não sabia que você estava aqui, cadê seu dono.

E ela retrucou:

“Nheu dono é o bode Geovah. Nhele tá fanhendo uns bicos por aí, uns trabalho de bode velho nha lá encruzilhada, uns despachos e tonhando cerveja e pinga. Nhepois ele vai no futenhol e me sheila suzinha. Nhele me deixa muuitu suzinha tanhém e não me conta historiazinhas”.

E qual é o seu nome

Nheu Nhome é Schabaquinha e eu faco muita arte e gosto nhuito de historia.


Nossa que prodígio, retruquei, eu estava agora mesmo rindo, voce viu nhé, alias, de “nhonde” vem esse sotaque. Bem, juju, eu estava falando com uma cadela, talvez eu estivesse com uma crise de açúcar, de qualquer maneira, estava muito curioso com esse acento, que não me era de todo estranho, afinal o nome “Schabaka”, ou sabaka, em russo significa cachorro. E nada mais natural para uma cadela que os nomes como Sheila, Shueli, Shilloca, ou até mesmo linguisha, como uma cadelinha da borracharia lá na subida da Oswaldo Cruz. Quando o ônibus parava, eu muitas vezes ouvia o dono chamá-la, linguisha, meu xodó:

Nheu sou bielo lucia

De smolensk

Nhão, nheu nhono Geovah é das nhontanhas da Loldávia


Nossa, que interessante, eu tinha uma colega de trabalho de lá, na Moldávia, ou melhor, Loldávia chamada Ulla e a gente sempre brincava oferecendo sangue a ela. Lá se fala alenhão tanhém. Aliás, um dia eu pus até uma dentadura de vampiro e usei a bandeira da Romênia como babador.


E ela ria

Nnheé nhée nhé nhé nhé

Poxa, que bom que você quer ser minha amiga. Percebi, então, que havia uma bolsa sacolinha ao lado dela. Ela a puxou com os dentes, sentou-se no meu colo e assim começou uma grande amizade entre nós. Eu tinha até me esquecido do tempo, ela abriu a sacola e me mostrou umas ilustrações.

Nhossa, disse na linguagem dela, que bonito.
Você sabia que meu menino adora pintar e desenhar. Ele adora desenhar paisagens do "mundo depois do homem", sabe, quando o homem desaparecer do mundo, um tema ronhântico, já pensou, a terra livre dos homens viajando "suzinha” no espaço e os antílopes vão folhear nossos livros nos prados... Tentava já traduzir minhas frases em "bielo lúcio"

Nhossa que lindo, nheu tanhém

E então percebi que havia outras gravuras mais elaboradas e inquietantes. Bem, de qualquer maneira, achei que tinha encontrado uma amiga de verdade, super canina. Sequer sabia mais que o tempo existia como em Zelda. Falava daquelas fábulas e histórias que queria lhe contar, de todos esses anos de silêncio e chumbo, exílio. Então disse a ela que ia contar um história bem cabeluda, pois adorava história de discos voadores e seres extraterrestes que eram “ennnnhergéticos” e cheio de poderes diabólicos como o Dr. Fausto de araque em que me transformara, no meu caso, me transformara num Fausto careca, pois o demônio paraguaio e cheio de muambas sequer os cabelos me devolveu, aquele desgraçado. Bem, essa foi a história:

Expliquei então que a famosa Área 51, onde se acredita existirem instalações secretas cheias de Ets e discos voadores fora substituída por outra área mais secreta ainda lá no meio do deserto em Dugway Utah, um lugar que é às vezes é chamado de Área 52 e um reserva indígena também. Lá, no meio do nada e bem embaixo da terra, os americanos conseguiram, com super tatuzões escavadores, e já, como sabemos, com a ajuda da menina prodígio do Recreio da Tia Araminta, cavar buracos enormes para esconder uma base. Lá, Ets ficam fazendo experiências e cruzamentos malucos com humanos e vice-versa não necessariamente nesta mesma ordem.
Em seus corredores, vemos  homens correndo atrás de ets numa direção e ets correndo atrás dos homens, na outra, para o acasalamento desimpedido, ou seja, ninguém é de ninguém, e nesse lugar, haveria supostamente uma “sala ou palácio dos horrores”, em que os ets teriam criado um ser híbrido humano com uma vaca!!! Pois essa historia cabeluda, que me fazia rir como uma hiena, tinha sido  o ponto final do programa “Caçadores de Ufos”, de Bill Birnes, uma de minhas poucas fontes de diversão, no History Channel. Essa história foi muito além da conta para o canal com suas supostas "imagens" e "provas" do tal de “filho de uma vaca”. Eu ainda rio tanto com ela, mas adoro história de escavações secretas, Juju, pois conheci aquela menina do Recreio da Tia Araminta e sei do que ela era capaz. Ninguém mesmo acreditaria, mas vi com meus próprios olhos. Acho que até de cavar um tunel no leito do Atlântico ela poderia.


 Nhe, nhé, nhé, ela sorriu tremendo. Nhhossa que nhedo!

Nheu tanhem escrevo poemas. Eu esshevri nhum poema chanhado “Uivos Ululantes!”


Poxa, “Uivos Ulantes!”, que bonito, e sobre o que trata

Shaudades, “Uivos Ululantes” é quanho nheu shente shaudades.

Então fiquei triste. Eu sinto muita falta de meu menino, sabia, sou a pessoa mais triste do mundo. Queria tanto estar ao lado dele.

Ela me olhou fixamente enfiou o focinho na bolsa e me entregou uma planilha a ser preenchida.

Nhé pra nhocê. Nnhessa esschola nhoce podi dar aula du qui nhiser e ficar pertu do Juju. Nhé uma lista nhagica de desejo, nhão precisa nhão dar aula de Literatura Brasileira. Nhé milhor que o Recreio de Tio Araminta.

Sério mesmo, assim, como dar aula sobre a história do cachorro na pintura. Olha, eu queria mesmo é dar aulas sobre os retratos de grandes cachorros reais por mestres, como Velázquez. Ia ser uma delícia contar a história do cachorro e sua amizade aos humanos na pintura. Obrigado, foi um anjo que te mandou...

Não sei por que disse isto, "anjo", Juju, nem tinha percebeido como a ponte ficara grande, grande mesmo, sabe, e o barranco também e sequer mais em Hannover eu estava e sim no lugar mais quente de minha vida, isto é, estava sentado em frente da Ponte da Amizade em Foz do Iguaçu, do lado brasileiro, mas, de maneira incomum, não havia ninguém, o lugar estava completamente vazio e silencioso e não havia aquela movimentação intensa de muambas de um lado para o outro como no mundo real. Aquele tradicional odor e bafo de cachaça não me passou despercebido quando pude ver do outro lado da Ponte da Amizade um bode de cuecas se aproximar. Aquilo tudo era irreal e bizarro demais, mas, afinal de contas, se antigamente os animais falavam, hoje eles até escrevem.

Schabaquinha, meeee, Schabaquinha.

Era o tal de Geovah, que nem mesmo as cuecas tinha suspendido depois da última mijada em seus despachos na encruzilhada, depois do futebol de sexta. Ele era mascote também de um time caprino da floresta auracária dos corníferos.

Meu bode amado, disse ela.

Ei, aonde voce vai

E ao segurar a patinha dela, percebia que a “pele” era apenas um revestimento. Aquela lã sedosa era 200%, pois Shabakinha era uma cadela de vida dupla, a saber, ela não era uma “cadela real”, mas um robô de cadela e lá foi ela para seu bode, deixando-me com aquela planilha de aulas na mão e eu perguntei:

O que eu faço com isto.

E, então, sem mais aquele, sotaque “bielo lúcio”, em perfeito português, ouvi a voz metálica:


Você tem a eternidade para pensar. O tempo não conta e sequer existe. Adeus! Desejo-lhe as coisas mais elevadas, pois eu nunca lhe menti sobre meu amor a esse bode, cujo nome já é programa. Passar bem.

Com uma imensa cara de palhaço, então me vi apenas murmurando o pagode da carrocinha:

Tá ruim para cachorro, tá ruim para cachorro, quando a carrocinha passa não adianta latir por socorro...


Mas a supresa do mais longo dos dias de minha vida de cão continuou.

Ela magoou mais uma vez seu coração cansado, alguém murmurou com um bafo canino no meu ouvido.

Quem é você Atrás de mim, estava um dobermann com o uniforme da OTAN, de uma divisão alemã da "Bundeswehr", como li na pata direita.

Sou o tenente Thor. Esse modelo que acabou de atravessar a ponte é a nova versão pirata chinesa da série SL com baterias de Lithium, com um programa particularmente perigoso. Ele é feito das memórias de uma cadelinha real, sacrificada por seu dono. Essa cadelinha queria ser artista.
As memórias são reais, incrivelmente reais, mas ela é capaz de simular coisas que você sequer imagina. A inteligência dela vem se desenvolvendo geometricamente nos últimos anos. Não sabemos ainda se as crianças chinesas que as fabricam mudaram o algorrítimo do programa.

Alguns especialistas já acham se tratar de um outro ser. Eu sou um defensor do mundo real, da dialética, José, que você parece ter esquecido no seu cérebro entupido de açúcar e teorias francesas pós-modernas, pois só o real conta. Nós estamos aqui para evitar que esse programa se espalhe como um vírus.


Quer dizer então que aquela passagem do “Fausto” sobre o poodle que explode e revela ser o demônio, não era apenas um “jogo de linguagem”, uma metáfora, uma licença do senso comum, uma "transfiguração do lugar-comum" na estética do Danto.

Este é seu problema José, essas teorias e, sobretudo, as perfumarias fajutas francesas pós-modernas, que envenenaram seu coração de simulações. Vocé sempre quis quebrar a "bonequinha" para saber de onde vinha a música. Ela parecia bem real, não é, e você, que se dizia tão cético, caiu como um pato, mas não é a ponte dos patos, não é, aqui é o eterno Paraguai de sua vida. Essas lágrimas são uma simulação, José, não. O seu tempo já passou.

E na ponte da amizade eterna, o abismo ultrapassa o campo profundo do Hubble. Você não acredita em nada, lembre-se de Hegel, que somente o todo é o verdadeiro, e é mesmo é, foi e sempre será.
É isso que dá renunciar à dialética. Você sabia que ela tortura nossos irmãos cachorros lá na carrocinha tocando o Justin Biber no último volume, nós que somos tão sensíveis ao ruído, Bieber é letal para nós e ela faz isso somente para pintar “realisticamente” o sofrimento e agonia desse inferno canino. Ela vai pintar sua cara de palhaço, aguarde.

Caramba, isso é pior que a mocréia perfomática da Yoko Ono. Com gente assim na rua, nunca mais ponho o pé num museu. E lá estava ela indo pela ponte e a última coisa que ouvi dela foi dizer a Geovah

Oba, hoje vai ter shop suey e sashemi de Gato...

Como sabemos, Juju, uma especialidade da província de Miau Miau, conhecida também por suas ratazanas achocolatadas e pelo mousse de piolho e gambá à milanesa. Ah, esses chineses e sua mágica cozinha!

Tenente Thor, tenho de perguntar uma última coisa a este bode, é uma questão questão de vida ou morte para mim.

Fique à vontade. Como você mesmo pode ver com seus olhos, são dois pobres diabos. Geovah é um agente autônomo na comercialização desse modelo e faz outros bicos também. Só não queremos que essa muamba chegue deste lado da fronteira, como você pode ver os chifres dele chegam quase que à Assunção.

Promoção da semana: jogue um bichano na sacola do motoqueiro e a entrega é grátis!

Então gritei para que ele, já distante, me ouvisse:

Qual é o valor da constante cosmológica em seu universo, Geovah.

E aquele bode cambaleante e pinguço, ziguezadeando com passos de sambista,  voltou-se para mim e, sem hesitar um segundo, disse:

Um, somente pode ser um.

E foi assim que a paz retornou ao meu coração atormentado. A mágoa era profunda, mas esse valor de um soava como uma melodia mágica. Ao voltar as minhas costas, estava de novo na ponte dos patos em Hannover. Já era tarde e aí pensei que seria melhor não ficar comendo chocolates para não ter mais uma alucinação tão technicolor como esta.

A verdade é que, ao acreditar que o poodle fosse inofensivo, Fausto somente cai na armadilha da bióloga Araminta e seu método revolucionário.

A história que eu acabei de lhe contar realmente aconteceu comigo como se o próprio demônio quisesse rir de minha cara, é uma citação clássica do poema de Goethe e um lugar-comum da língua alemã: „Das also war des Pudels Kern!" Fausto diz: Então era essa a essência do Poodle! Fausto invocara o demônio, mas quem aparece é um cachorrinho inocente que explode e revela ser Mefisto! Quem desconfiaria de um cachorinho inofensivo, ou mesmo de uma Shabaquinha. Diz também a sabedoria popular que o diabo se esconde nos detalhes.
A ciência mostra isto também. As piores pessoas são as que se dizem boas e bem intencionadas. Aquelas aulas, aquela lista imaginária de desejos só existia mesmo no Paraguai da minha imaginação cansada de bode velho. Pois minha vida sem você foi um imenso Paraguai e nada, nada foi real, e dái cunhei a frase: "o Paraguai é um estado de espírito". E lembrei-me, entre lágrimas de saudades, de seus olhos e de sua beleza de tigre branco, lembrei-me de uma frase do poeta John Milton em “Paraíso Perdido”, sobre a queda do homem, dos anjos que “caem” MAIS VALE REINAR NO INFERNO A SERVIR NO PARAÍSO. De qualquer maneira, encontrei minha liberdade e meu destino.
A liberdade não tem preço, nunca se curve, Juju, nunca seja escravo da vontade alheia  e aprenda a desencantar as miragens e armadilhas do coração.



















(Lobos interpretam poema de Shabaktinha"Uivos Ululantes")   

Mas agora já no fim dessa saga, como em Zelda, gostaria de contar uma última história de um filme que diretores como Steven Spielberg consideram um de seus clássicos mais queridos. Uma das marcas geniais de Spieglberg é tentar retratar o mundo cinematograficamente com os olhos de uma criança. Ele criou o ET, um anjinho que cai do céu como alienígena, e é protegido por crianças. Só as criançcas podem entender seus sentimentos, sua solidão, seu desejo de voltar para casa. Depois, Spielberg descreveu o Holocausto nazista, os alienígenas da raça humana, também do ponto de vista dos olhos infantis.
E justamente ele que tinha criado os ET bomzinho e anjo resolveu mais tarde refilmar um outro clássico do cinema e da literatura de H.G. Wells, “A Guerra dos Mundos”, em que os marcianos dão o maior cacete na humanidade, para estes ets, a humanidade não passa de formigas a serem exterminadas ou adubo. Mas voltando ao filme. Ele se chama “Invasores de Marte” (1953) , do diretor William Cameron Menzies. Um menino chamdo David McLean estava indo dormir depois de receber o beijo da mãe e do pai quando testemunha, de sua janela, o pouso de um OVNI em um campo vizinho à sua residência. Seu pai, pensando se tratar de um sonho, vai verificar e só volta na manhã seguinte e com um estranho comportamento.
Pouco a pouco, outros moradores da cidade caem na armadilha e David tem que sair em busca de ajuda antes que seja tarde demais. Bem, aí ele começa a perceber que a mãe, o pai, os amiguinhos, até mesmo a polícia, todo mundo tem uma estranha marca atrás no pescoço e, pior, os pais passam a tratá-lo mal, como os nazistas tratavam as “raças inferiores”. Imagina ser mal tratado pelos próprios pais. Tem pesadelo mairo do que esse
São os marcianos, imagine eu e a mamãe tomados pelos marcianos, a escola inteira, todo mundo contra você, a polícia o prende, ele volta para casa e ACORDA, era tudo, aparentemente, apenas um pesadelo, mas ai ele vai dormir de novo e o disco voador pousa novamente, é exatamente como em Zelda, uma história circular, o começo é o meio e o fim, o horror nunca vai ter fim, os marcianos vão sempre pousar no quintal e o drama recomeça, todo mundo estará contra e seu eu lhe disse que o ex-presidente Nixon tinha ficado paranóico na presidência e fora abandonado até pelo seu prórpio cachorro, quem vai defendê-lo de uma história circular, o horror nunca vai acabar, portanto, desconfie sempre, pois esses ets estão em toda a parte.

Fim
Como se diz em alemão, “Danke dass es Dich gibt”, obrigado simplesmente por existir. No dia do seu aniversário de dez anos, queria lhe dizer o que um pai deseja de mais bonito ao seu filho.

Se você me perguntar, há um modelo de procura da verdade que você poderia indicar diante da complexidade das coisas e da diversidade de pontos de vista, eu direi sim: Eu quero que você ame o jornalismo praticado pela BBC,
tão imparcial quanto o jornalismo pode ser, sobretudo na figura de Adam Curtis e de um programa e série cientifica chamada Horizons, com mais de 50 anos, uma de minhas maiores paixôes, uma série maravilhosa sobre a ciência e sua dimensão humana, sobre a busca desesperada da verdade científica, seus descaminhos e seus grandes triunfos. AME A BUSCA DA VERDADE, sem preconceitos, a diversidade de pontos de vista. Ame a sociedade aberta baseada nesta diversidade de opinões, contra os fanáticos religiosos, contra aqueles que têm receita para tudo. Olhe para o mapa do mundo e veja quantos países tem. Todas a coisas podem ser pensadas de muitas perspectivas diferentes.
Aprenda isto com a BBC. Você não tem isto no Brasil, infelizmente, você não tem este super jornalismo que que nos deixa de boca aberta. Aprenda a usar sua imaginação e sua criatividade na busca dessa diversidade, você verá o quanto as coisas são supreendentes e complexas, como sempre estamos enganados com nossos pontos de vista.


Que seu coração guie todas suas escolhas e que ninguém ouse montar em cima de você como os tigres brancos. Que você seja justo e correto com seus semelhantes, mas, se ameaçarem sua liberdade e sua imaginação aí está a doutrina do "cachorro louco" de Richard Nixon. Ame a paz, mas mostre às pessoas que você é forte e está preparado para não deixar nenhuma ogiva de seu arsenal de fora, nenhuma mesmo.

Nunca demonstre fraqueza. NUNCA SE CURVE A NINGUÉM. AME E LUTE POR SUA LIBERDADE. Você lerá um dia Kant e entenderá o valor supremo da liberdade. Kant afirma que o ser humano tem a obrigação de crescer, de usar sua inteligência contra a preguiça mental e o vício, estamos condenados a usar nossa própria Razão para o bem. Eu lhe escrevi este post, porque a liberdade só tem sentido quando a mercemos, quando lutemos por ela. A liberdade é o valor humano mais fundamental, sem ela não seria possível sequer pensar em viver em sociedade. A estátua da liberdade do romance "América", do escritor alemão tcheco Franz Kafka, enverga uma espada e não uma tocha. Esta é a verdadeira imagem da liberdade, nunca a esqueça. Esta é a face real da liberdade.


Os chatos nunca vão abanadoná-lo até contaminar radiotivamente sua vida para sempre e envenenar seu coração. Nunca deixa que envenem seu coração.

Seja PURO, SINCERO, MAS SEMPRE FORTE Nunca permita que usem seus sentimentos e sua sinceridade contra você. Lembre-se da história de Shabakinha traidora e do Dr. Fausto, nunca morda seu próprio rabo, nunca acredite em promessas falsas, sobretudo de um robô paraguaio made in China. Somente quando você já esteve no abismo mais profundo é que poderá ver a beleza do topo das grandes montanhas. Esta e uma das frase finais de Richard Nixon, antes de deixar a presidência.

Desconfie de tudo e de todos, sobretudo das boas intenções, e até de sua própria sombra. Ser bom é ser forte e justo. A cada um o que é seu por merecimento, por justiça. Uma homenagem também a todos os cachorros que lutam com seus donos, por sua amizade e fidelidade, e também àquela cadelinha real, sacrificada em seus sonhos, pois a beleza nos salva e nos consola e minha homenagem a você, que é puro em seu coração, eu lhe entrego esse símbolo mágico, que é a unidade entre a matéria e o espírito.  Eu amo você.















Tribute to Dogs of the Military 


Always Faithful

 



Quando nos reencontrarmos no Muro das Lamentações em Jerusalém para  um abraço eterno...


Um comentário:

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